Do narcisismo primário à autoestima


Uma boa autoestima supõe uma vantagem fortalecedora na vida. Ela procede de uma imagem que foi criada na infância, imagem essa, que dependerá do relacionamento que a criança terá com seu próprio corpo e o mundo a sua volta .E para que ocorra o desenvolvimento de um ego estruturado, dependerá de um ambiente acolhedor proporcionado por seus cuidadores, onde originará no ser a chamada autoestima. Mas também, ela é formada através de elementos que foram extraídos do nosso redor, principalmente da imagen que fomos criando sobre nossos pais.
Do mesmo modo que a criação da imagem é uma etapa necessária na evolução do indivíduo, também deverá ser superada mais tarde, o que chamamos em psicanálise de quebra narcísica.
O sujeito que se desenvolve em um ambiente pouco acolhedor e conflitivo para suas demandas infantis, geralmente, seu ego fica desnutrido e pouco estruturado, proporcionando no ser a baixa autoestima.
A palavra "persona", tão bem empregada e estudada por Carl Gustav Jung, vem do grego  persona , que significa máscara. Máscara essa que no sujeito com baixa autoestima se vê muito acentuada. São pessoas excessivamente preocupadas com sua imagem, tendo elas dificuldades por serem naturais. Carecem de valor e de idéias próprias, e muito menos uma verdadeira personalidade. Quando falam, não podem dizer o que sentem, dever dizer o que creem que deve ser dito, justamente para resultarem interessantes aos seus interlocutures. Seus valores são frequentemente os valores de outros, ou de grupos. Do mesmo modo lhes resulta verdadeiramente difícil ir ao encontro dos demais. Geralmente mantém relações superficiais e em casos ainda mais extremos,  se distanciam completamente do mundo.
Debalde, não podemos negar que a máscara faz parte da nossa existência, porque todos nós  vivemos em constante dualidade, pois não somos nem tão maus e nem tão bons, vivemos hora momentos de luminosidade e hora momentos de sombra. Em uma busca contínua do equilíbrio.
A maneira como os outros nos percebem tem grande influência sobre nós, amigos, opressores, religiosos fanáticos, pais dominadores, conjuge inflexíveis, podem ter exercido muita influência sobre nossas aptidões e até sobre nossa personalidade.
E como se faz para anular isso?
Devemos buscar em nós mesmos, através de reflexão, nossos próprios valores e aceitarmo-nos tal como somos, com defeitos e também com muitas qualidades, ainda que corramos o risco de perder uma parte do nosso entorno social.
 Nossos problemas íntimos,se resolvidos com maturidade, responsabilidade e aceitação, são ferramentas facilitadoras para construirmos alicerces mais vigorosos e adquirirmos um máximo nivel de lucidez e crescimento.Nunca devemos manté-los escondidos de nós próprios, como se fossem coisas ediondas, e sim aceitar essas emoções que emergem do nosso  lado sombrio, para que possamos nos ver como realmente somos, sem nos preocuparmos com os julgamentos alheios. Esse é o primeiro passo até o caminho da liberdade e realizações. Um provérbio Zen diz: "Estudar a si mesmo é esquecer o próximo".
De fato, uma  autoestima é estruturada e nutrida pelos bons vínculos. Os ambientes acolhedores, favorecemos a expansão de nossas verdades, e os ambientes tóxicos as destroem.
Pouco a pouco, deixemos as falsas apariências de lado e analisemos nossas emoções e sentimentos, aprimorando-os. Aceitar a nossa porção amarga é o primeiro passo para a transformação. E para trilhar no caminho da autoestima, se faz fundamental vínculos nutridores, que alimentam seus pensamentos e suas verdades com palavras de apoio, afeto, esperança e fé, auxiliando-te reconhecer quem você realmente é.



Psicanalista Renata Tirolla
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