Vida de Imigrante
Imigrar é muito mais que simplesmente
sair de um lugar para o outro, é um fato que afeta profundamente o indivíduo e
aqueles que fazem parte do seu vínculo. É um fenômeno natural, veículo de
transmição e intercâmbio de conhecimentos e de cultura, que impulsiona o
desenvolvimento e a civilização humana.
A imigração é um
fenômeno complexo e multifacetado, que trás em si fatores econômicos,
políticos, psicológicos, sociais e culturais. É um processo que implica deixar
uma “forma de vida”e de identidade para incorporarse outra nova “forma”.
Involucra tantos os indivíduos imigrantes, como a sociedade receptora. É uma
oportunidade para o intercâmbio de valores culturais, e conhecimento de
costumes e hábitos, a perda do medo do desconhecido e do outro, que possibilita
o conhecimento recíproco e facilita a aceitação o e o respeito à diferenças e a
diversidades. Nossa autoconsciência entre o Eu e o Outro,”Para compreender-se a
si mesmo, o homem necessita que o outro o compreenda. Para que o outro o
compreenda, necessita compreender ao outro”.
Esse processo é contínuo em ajustes, a atualização de informações aproxima o indivíduo de sua
interrelação com o mundo, levando-o a obter habilidades apropriadas e,
eventualmente, aumenta a possibilidade do sujeito para a adaptação ao seu
entorno.
O fenômeno imigratório
é vivido frequentemente como um problema e não como uma solução à necessidades
sociais e econômicas das pessoas que imigram, e da sociedade receptora; tal
percepção poderia gerar atitudes de rejeição e de medo, assim também prejuizos
negativos, tudo nele poderia criar situações de tensão que possivelmente acabem
em conflitos, e por conseguinte, em comportamentos de segregação e
automarginalização, dificultando dessa maneira a adaptação, a convivencia e o
diálogo intercultural.
Geralmente os motivos de imigrar são:
1. Econômico,tal como o desemprego, salários muito baixos, inseguridade laboral.
2. Sociais,
como as situações adversas, a pressão da família, as propagandas no meio de
comunicação dizendo de paraisos onde podem encontrar soluções para seus
problemas.
3. Políticos,
e de segurança, tal como as guerras e conflitos internos, as ditaduras e
perseguições,etc.
Se trata em geral de
pessoas jovens, fisicamente e psicologicamente fortes, que durante o processo
de imigração se enfrentam a uma corrente de adversidades e situações
estressantes que lhes dificultam o êxito
O processo de adaptação
O processo de
adaptação se inicia no momento da toma de decisão de imigrar, que obriga o
sujeito colocar em marcha os mecanismos de adaptação, incluso antes de iniciar
a viagem imigratória. É um processo dinâmico com progressos e retrocessos, com
perdas e ganhos. Produz mudanças tanto nas relações externas como internas do
sujeito e na estrutura de sua personalidade; a pessoa imigrante, ao chegar a nova
sociedade, seu modo de vida torna se distinto e isso o leva a situações de
insegurança e instabilidade, devido a mudança brusca e a busca de um novo
continente para suas emoções e sua identidade. Se pode viver em várias etapas;
esta divisão é artificial e não esta nitidamente delimitada e nem é lineal,
somente serve para a observação, o estudo e exposição desse processo.
Preparação e tomada de decisão
Se caracteriza pela
presença de sentimentos ambivalentes, de culpa, de pena e de ilusão, ademais de
ansiedade e estresse . Durante a elaboração do projeto quase sempre
inclui como ponto final, a ideia de retorno. Ao mesmo tempo inicia o luto
imigratório, que se caracteriza por uma perda massiva de objetos(família,
amizades, paisagens, estatus social, projetos de vida,etc.), por ser parcial,
vincular, recorrente e transgeneracional.
A chegada
É caracterizada pela
presença de sentimentos de ambivalência emocional( alegria por haver conseguido
chegar, tristeza pelo que acaba de abandonar), de confusão e de medo. A
princípio o sujeito se encontra imerso em uma situação que se pode qualificar
de anônima(conflito entre normas e / ou ausência das mesmas) com risco de
crises de identitade.
Adaptação e integração
Durante essa etapa
vivenciam situações ambivalentes entre duas culturas, duas sociedades e duas
identidades, em ocasiões a opção é viver “fora de lugar”. Ainda que essas
vivências possam manifestar se ao longo de todo o processo imigratório. Durante
essa fase é aconselhavel que a pessoa procure manter laços com a sociedade de
sua origem(seus paisanos) ,pois dessa forma consegue elabora melhor o luto
imigratório.
A capacidade que tem o
ser humano para se adaptar, acomodar e integrar em seu entorno físico e
cultural esta constantemente mudando. É
um processo bio-psico-social, inerente a natureza humana, que abarca três
níveis que configura o sujeito.
1. Biológico, o organismo e suas relações ambientais, os cambios climáticos e alimentários,etc.
2. Psicológico, as relações objetais, a
capacidade de adaptação, o sentido de identidade, as emoções e habilidades,etc.
3. Sociocultural, as interações
interpessoais, tipo de educação, a influência da cultura no sentido da
identidade e nas vivências, os valores,etc.
Esse processo não esta
isento de reações de angústia e de depressão devido a ruptura dos vínculos, que
se traduz em uma série de lutos, e promovem a necessidade de sua elaboração.Na
situação da imigração e no processo de adaptação essas mudanças e o luto sao
vivenciados de maneira especial.
Entre os sentimentos,
dúvidas e atitudes sobre sua situação, que acompanham as pessoas imigrantes ao
longo do processo imigratório, poderíamos encontrar principalmente as
seguintes:
- · Solidão, sensação de impotência, desamparo e resignação.
- · Culpa por haver abandonado a seus familiares, amigos, país, etc.
- · Nostalgia e desejos de voltar á pátria.
- · Medo do futuro, do fracasso e perda do projeto imigratório e suas expectativas.
- · Frustração por haver interrompido projetos anteriores à imigração.
- · Ilusão pelo projeto de imigração.
- · Satisfação e alegria pelas conquisras alcançadas.
- · Dúvidas se vale a pena seguir ou voltar, e de quando deve finalizar o projeto de imigração.
- · Incerteza e questionamento sobre a educação dos filhos- Em que cultura os educo?, e também sobre o futuro deles- Onde?
O impacto sobre a saúde mental das pessoas imigrantes
A saúde dos imigrantes
e de seus familiares corresponde a um conjunto complexo e indissociável de
fatores individuais , sociais, econômicos e culturais que remitem
necessariamente no seu estatus sociolaboral na sociedade(Pechevis,1995). Entre
os quais é conveniente levar em consideração a subocupação em atividades de
risco, a ausência de apoio sociofamiliar, a falta de residência fixa,o isolamento,
a cohabitação forçada(conviver várias famílias, ou pessoas sem parentesco na
mesma vivenda). Assim mesmo, convém destacar a importância, como fator de
risco, a atitude de rejeição e hostilidade da sociedade receptora, fomentando a
marginalização, a automarginalização e a exclusão social. “A imigração poderia
entrar na categoria dos traumatismos”acumulativos” e de “tensão”, com reações
não sempre ruidosas e aparentes, mas de efeitos profundos e duradeiros”. Grinberg, L. y Grinberg, R. (1984)
Cabe destacar a
repercussão da rápida variação cultural, a substituição de valores éticos e
morais que parecem atuar como fatores básicos de insegurança, capazes de
provocar, junto ao estresse e a crise de identidade, a sensação de que chegou
ao limite de suas próprias capacidades.
Ainda que a imigração
não seja em si mesma a causa de transtornos mentais, pode se considerar um “Acontecimento
Vital Estressante” que constitui um fator de risco, e como tal, poderia
produzir no sujeito enfermedades mentais habituais, mas camuflada pelo estresse imigratório e da visão de mundo e cultura do sujeito imigrante, tendo as
mais frequentes somatizaçoes e alterações adaptativas, afetivas e ansiosas,
trazendo em si a máxima expressão de sofrimento mental,”situação psicótica",
devido as circunstâncias de incertezas e de perdas do sentido de realidade.
Não obstante , em
geral, essas pessoas possuem uma capacidade de luta e uma disposiçao de ir adiante incluso em contextos muito adversos. Podem ter sentimentos de
tristeza, mas ainda assim conservam uma certa esperança que os impulsiona a
desejar seguir vivendo.
Fonte- COLECCIÓN INMIGRACIÓN Y SALUD- Salud Mental en la Inmigración

Psicanalista Renata Tirolla
Email-renatatirolla@gmail.com
Fonte- COLECCIÓN INMIGRACIÓN Y SALUD- Salud Mental en la Inmigración

Psicanalista Renata Tirolla
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